terça-feira, 1 de maio de 2007

Extraindo Dentes

Extraindo dentes


Durante o tempo em que fiz a Escola de Desenvolvimento comunitário em Contagem – MG, recebi um treinamento com um dentista. Na verdade ele se dispôs a dar algumas dicas em como proceder em emergências em locais como aquele em que nossa equipe estava indo. Saí do treinamento com a certeza de que nunca seria capaz de extrair um dente de uma pessoa.
Mas quando cheguei no lago Manissuã, ouvi testemunhos de pessoas que arrancavam dentes com a ponta de arpão, faca, anzol, tentando aliviar o tormento da dor dente. Então decidi colocar em pratica as dicas que tive. Já que eu tinha alguns instrumentos e anestesia valia a pena tentar ajudar aquele povo.
A primeira experiência não foi nada animadora. Uma velha por nome de vovó Sabá foi minha primeira paciente. Tudo parecia perfeito, pois ela já era velha com poucos dentes na boca bem estragados e que pareciam fáceis de extrair. Mas não foi isso que aconteceu. Não consegui fazer a anestesia direito. Usei todas as “técnicas” que tinha mas ela continuava reclamando de dor. Então, sem saber o que fazer, dei a desculpa de que o dente estava inflamado e pedi para ela voltar outro dia.
Enquanto isso, me refiz e estudei o livro “Onde não há Dentista”. Orei e decidi fazer o procedimento novamente e desta vez com vitória.
Com esta experiência os pacientes começaram a chegar e foi se divulgando nas comunidades vizinhas que na aldeia Paumari tinha um dentista. E assim, com a graça de Deus e muitas vezes orando para saber o que fazer em meio a um procedimento, fiz muitas extrações. Em minhas viagens pelos rios levava meus instrumentos e fiz extrações usando como cadeira troncos de árvores, sacos de farinha, canoa e etc. Integrei uma equipe que viajou para Angola e fiz muitas extrações lá.
Já faz algum tempo que me aposentei desta função e doei meus instrumentos. Mas tive experiências marcantes em minha vida fazendo extrações de dentes. Era gostoso ver a expressão de gratidão das pessoas por terem sua dor aliviada naqueles confins da terra onde não chegava dentista. E a cada extração eu fica maravilhado como Deus estava me dando graça e fazendo o milagre para demonstrar Seu amor para aquelas pessoas.





Nossa historia

Paulo: Sou paranaense da cidade de Kaloré. Nasci em 08/07/1967. Mudei-me para Curitiba com dezoito anos para estudar. Me converti ao evangelho aos vinte anos e logo tive a convicção do chamado missionário. Com quatro meses de convertido fiz a Escola de Treinamento e Discipulado da JOCUM, em Curitiba(Julho a novembro de 1988).
Depois de terminar a Escola fui para JOCUM Contagem-MG, onde Cursei uma escola na área de desenvolvimento comunitário, me preparando para trabalhar com comunidades carentes. Ao terminar o tempo teórico desta escola, fui enviado com uma equipe com um compromisso de dois anos para trabalhar com a tribo dos índios Paumaris, no Lago Manissuã, região do rio Tapauá – Amazonas, em junho de 1989.
Eliete: Sou mineira da cidade de Ipatinga. Nasci em 06/09/67 de onde saí bem criança. Morei em vários lugares do Brasil como São Luís do Maranhão, Belo Horizonte e por fim me estabelecendo em Vitória – ES. Me converti bem criança, crescendo na Igreja Batista. Desde pequena tinha uma convicção de que seria missionária. Penso que sou resposta das orações de minha avó, que sempre quis ir para o campo missionário. Mas pelas circunstâncias e também da época em que ela vivia, não conseguiu ser uma missionária e começou a orar para que Deus levantasse alguém da família. Hoje ela tem uma satisfação imensa por ter uma neta como missionária.
Com esta convicção, direcionei toda minha vida com o propósito de me preparar para servir em missões. Formei-me em educação religiosa pelo Seminário Batista do Espirito Santo, cursei técnico em enfermagem, a Escola de Treinamento e Discipulado e a Escola de Desenvolvimento Comunitário na JOCUM- Contagem. Fui para o Amazonas para fazer o tempo prático da Escola de Desenvolvimento Comunitário no ano de 1990. Iniciamos o trabalho em uma comunidade de ribeirinhos chamada Camaruã, nas margens do rio Tapauá.
Paulo e Eliete: Nos conhecemos na Comunidade do Camaruã, rio Tapauá, Amazonas no ano de 1990. Em 1992 começamos a orar juntos buscando a Deus sobre a confirmação Dele para nosso casamento. E o SENHOR foi confirmando. No dia 12/06/1993 nos casamos em Vitória – ES.
Retornamos casados em setembro de 1993 para a Comunidade Camaruã, onde trabalhamos por mais quatro anos com implantação de Igrejas com atendimento na área de saúde. Estabelecemos um posto onde fazíamos análises e tratamento de malária, extrações de dentes, treinamento de parteiras e bastante discipulado. Foi um tempo de grande treinamento para nossas vidas.
No inicio de 1998 nos mudamos para cidade de Lábrea para assumir a direção da base JOCUM naquela cidade. Em Lábrea organizamos uma Igreja que demos o nome de Igreja Missionária Casa do Pai, que passou a ser a Igreja sede de outras cinco Igrejas ribeirinhas. Hoje todo este trabalho foi transferido para a Igreja da Paz, por entendermos que nosso trabalho é apostólico e não de pastorear a Igreja. Então sempre estaremos em busca de desafios pioneiros.
No ano de 2001 iniciamos um projeto chamado Centro de Desenvolvimento Comunitário, numa área em mata virgem a sete kilometros da cidade Lábrea. Lá está nossa casa. Em 11/05/2004 nasceu nossa primeira filha, Daniela Inêz....

NOVOS DESAFIOS

Este ano(2006) estamos completando dezessete anos de Amazonas e estamos buscando uma clareza do Espírito Santo quanto aos próximos desafios. Não queremos ficar somente olhando para o que já foi realizado ate aqui mas sim buscar mudanças constantemente rumo as intenções de Deus, naquele desafio de ser “transformado de glória em glória...” 2Co 3:18. Alguém disse que quando deixamos de mudar envelhecemos. Então orem conosco para que tenhamos uma Palavra rema do SENHOR quanto as próximas mudanças.
Atualmente lideramos a base de JOCUM em Lábrea, e trabalhamos com o ministério de desenvolvimento sustentável para comunidades ribeirinhas. Também trabalhamos com Igrejas em Lábrea, ministrando jovens e casais. (Janeiro de 2006)